Wednesday, December 17, 2008

Rampas para quê?




Bem, faz muito tempo que não escrevo sobre pessoas com deficiência que deixei um pouco de lado, porque pelo simples fato de está completamente desiludido com os movimentos que “deveriam” cuidar das pessoas com deficiência. O motivo é bem simples, muitos desses “movimentos” não estão vendo o “apartheid” dentro de nossa sociedade com pessoas como nós, apenas não podemos ter mobilidade como as outras pessoas, mas que pela estrutura genética, somos seres humanos. Ora, agora me perguntem o que vejo dentro desses movimentos? Em primeiro analisamos, toda pessoa com deficiência tem sua limitação, ou não consegue subir na calçada, não consegue subir para o ônibus (diga de passagem, até mesmo os adaptados), mas como vi, não é exagero, “meu” problema é muito mais importante do que do colega do lado. Isso não vi só dentro desses “movimentos”, vi lá quando fui para Brasília na primeira conferencia sobre a juventude, pois nem chamavam de dificuldade, era “problema” mesmo.

Segundo, mais importante é analisarmos porque que autores vem desenvolvendo artigos sobre pessoas com deficiência e tem usado “apartheid” dentro de seus artigos, cuja seu significado entra muito bem para definir o que vivemos. Terminologicamente, essa palavra tem origem sul africana que significa “vida separada”, foi muito empregada dentro da política daquele país para separar os negros dos brancos. No nosso caso essa palavra cai muito bem, pois por vários anos e estudos, venho observando que a pessoa com deficiência se sente separada da sociedade, e por muito tempo, agregada a pessoas que não tem vontades ou desejos. Numa empresa, não podemos preencher cargos elevados, não podemos ser administradores, executivos, mesmo se temos diploma. No maximo, temos que nos contentar em preencher cargos de telemarketing, caixas de atendimento e por ai vai. Isso não seria uma “apartheid” dentro de nossa sociedade? Não é uma vida simplesmente a parte da sociedade vigente que se diz liberal e cristã? Pois é, por mais que usamos terminologias corretas, por mais que construímos rampas e acessos, existe o preconceito e a falta de informação para nos proteger.

As leis estão ai para ser usadas quando for possível, essas leis servem para proteger um setor ou uma sociedade, leis que põe todos em pé de igualdade. Mas onde está esta igualdade que tanto dizem num regime democrático? Vamos explorar filologicamente as palavras “igualdade” e “democracia”, porque é muito importante saber as terminologias do nosso cotidiano, muitas palavras nem sabemos porque existem. Segundo o dicionário Michaelis online, a palavra “igualdade”: “sf (lat aequalitate) Qualidade daquilo que é igual; uniformidade.”, tudo que deva ser igual deve ser em termos de igualdade, uma lei ou uma resolução, deve tratar todos os seus membros em igualdade. Esse termo usado agora (era pós-modernidade), foi copiado graças aos pensadores do iluminismo que pensavam que uma nação justa seria de valia temos dentro das leis vigentes, igualdade perante todos, assim, acabando com os “escolhidos”. O termo “democracia” é totalmente grego, quer dizer (demo= povo, kratos=autoridade), ou seja, a autoridade do povo ou governo do povo, em termos mais gerais, a polis tem que ter o governo do povo que é regido, pelo menos em teoria, pelas leis que o próprio povo; isso daria um “ar” de igualdade perante todos, porque um não seria mais do que os outros. Digo em teoria, porque em nenhum lugar que se diz ter um governo democrático, o povo rege e escolhe suas leis, porque tem os “representantes” do povo. Essas leis beneficiam o povo em certos momentos, em certas coisas, o próprio povo não compreende o termo de “igualdade”.

Mas hoje existe dentro dos Estados (Nações), realmente igualdade de direito? Não no termo mais puro, pois os cidadãos dentro da polis (sociedade/estado) exige que sua idealização de mundo prevaleça. Cidadão, pelo menos do Brasil, antes de 1950 pôs aqui a “lei do Gerson”, ou seja, se eu não levar vantagem então não vale a pena, mas uma nação que todos querem vantagens ninguém a tem; como também quando todos mandam ninguém manda, ou seja, ninguém se entende com milhões de vozes. A democracia em si mesma é o melhor regime, mas o que acontece é que igualdade não é bagunça, não se pode estabelecer regras sem ter ordem e é uns dos ideais iluministas dentro de nossa bandeira é “ordem e progresso”. Numa sociedade onde não tenha “ordem” não existirá “progresso”, essa “ordem” só pode ser estabelecida dentro das leis vigentes e essas só podem ser usadas e idealizadas pelo povo. Mas, e quando o próprio povo não é igualitário ao ponto de dar chance para todos, quando rotula alguns cidadãos que não tem ou fazem iguais suas idéias ou tem a aparência “comum”? Uma nação que não tem cidadãos democráticos não pode conter igualdade e assim, não pode ser chamados de tal modo. É o que acontece com as pessoas com deficiência, não existe igualdade diante da própria sociedade vigente, por causa da própria família que o a descrimina.

Isso me lembra das três palavras básicas da revolução Francesa que eram “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, cuja o lema consiste em que sem a liberdade não podemos exercer o que nossa natureza de espírito exerce e não haverá igualdade para com os outros, esse convívio gerará por natureza, a fraternidade onde todos convivem em pé dessa igualdade. Na verdade, fraternidade é quase sinônimo de igualdade que os cristãos reafirmam com a frase máxima: “não faça com o outro o que não querem que façam com a ti”, ou seja, como podemos agir com preconceito e desrespeito com opiniões alheias se não somos respeitados também? Então podemos dizer que fazemos igual padre, faça o que eu digo, mas não façam o que eu faço; várias vezes podem apontar o dedo para o outro com o outro apontando para si mesmo. A fraternidade é um convívio entre irmão, entre seres que vieram e tem a mesma origem, que fazem a mesma sociedade. Essa mesma que “exclui” as pessoas que não tem a mesma aparência ou que não tem o mesmo conceito, então, não posso conceber que são pessoas democráticas porque não abrem mão de seus conceitos para o bem – estar da maioria.

Não podemos nos gabar de ter evoluído tanto do mundo antigo que se matavam pessoas como nós, como em Esparta que se matavam os “defeituosos” ou em Atenas que o patriarca da família poderia matar um filho nessas condições. Não podemos dizer que as condições são melhores do que agora de que antigamente, que mesmo com a tolerância cristã, podemos ter uma vida muito mais digna de respeito. Aliás, muitos que acreditam que o comunismo é o melhor regime não têm em sua conduta o “respeito”, porque “achar” que uma parcela de cidadãos tem o direito mais do que a outra é pura canalhice de invejoso. Querer que uma parcela sobreponha a outra é anti-fraterno porque não está se propondo a igualdade, pois o problema não é fazer o rico ficar pobre e sim fazer com que a maioria viva mais dignamente e fraternizar a sociedade.
As pessoas com deficiência não vão se “incluir” na sociedade se a família começar a idealizar que ele não pode fazer isso, não pode ver aquilo, não pode ter aquilo outro é “excluir” a capacidade do ser humano da adaptação ambiental. Immanuel Kant, filosofo iluminista, dizia que o ser humano aprende a virtude no colo de sua mãe, ou seja, não é a educação escolar que faz um ser humano. Se qualquer criança põe apelido nos defeitos dos outros, isso é devido da suposta virtude que se aprendeu em sua casa, no colo de sua mãe ou o exemplo do pai. Ora, todo cidadão que tenha a virtude é um ser humano justo por natureza, ou seja, para ele o termo “justiça” é a priori. Todo conceito levado ao exemplo pela educação e a demonstração, não será preciso levar ao ensino da mesma, porque a convivência fará não ser preciso a experiência. Um ser humano preconceituoso teve seu exemplo em sua casa, como um ser humano corrupto e por ai vai, pois o exemplo é a maior virtude a ser ensinada a um filho.

Como um ser humano que explora o outro ser humano que não pode se defender e exclui também, pode exigir do governo que supostamente é do povo, que não exclua e não explore a ele? Como podemos proibi alguém de ir e vir e exigir do governo que proíbe até de nós argumentarmos, de ter esse direito? Por isso que sempre digo que o problema “maior” não é rampas ou acessos, porque isso é o mínimo que estabelecimentos civilizados podem nos garantir, mas é muito mais complexo do que isso e vai até a própria família da pessoa com deficiência. Como posso exigir aquilo que não faço? Não posso exigir da sociedade aquilo que não fazemos, pois exigimos sempre aquilo que sabemos que sempre não faremos. Isso com toda certeza, chama demagogia.

O que fazem os movimentos? O problema maior é ainda a união entre as pessoas com deficiência, porque se olhamos muito nosso próprio “umbigo” e pouco o do outro, não podemos nos unir. Por que será que os movimentos de negros ou de mulheres ou de qualquer setor desses, conseguem tudo que reivindicam? Porque eles entram em maior consenso e fazem disso a pratica, se houver preconceito “processa”, se houver cárcere denuncia, usam a lei como deve ser feito. Por muito tempo acredito que se o segmento não faz suas leis “emergirem” para melhor ajudar, então para quê queremos “movimentos” que não movimentam, usam o dinheiro do Estado para “passeios” ou terapias ocupacionais sem propósitos? Fazer reuniões para resolver se a reunião vai acontecer é jogar uma proposta fora, é levar um movimento a inócua existência que não podemos dizer se é ou não um. Aliás, movimento já está contida o termo movimentar, que deve ser exigido como terminologicamente cabível.

Então se não há união e se não há virtude dentro de nossa sociedade, não podemos analisar nada por meios ideológicos ou mágicos, como curas milagrosas ou conceitos que só vamos ser felizes “perfeitos”. Isso é uma idéia nazista que difundiram seu governo a “morte” digna como meio de parar nosso sofrimento, por não sermos perfeitos não podemos ser felizes; mas quantas pessoas ditas perfeitas são infelizes porque tem que usar a beleza ou o dinheiro para ter um pouco de atenção, ou são frustradas porque não foram dignas de um amor verdadeiro ou paz de espírito? O próprio Adolf Hitler era um sujeito frustrado porque não foi aprovado como pintor, mesmo assim pintava e nunca ter sido um oficial, que o levou a procurar culpados. Como disse Sartre, o inferno sempre é feito pelos outros e não por nós, culpamos sempre o outro pelos nossos próprios fracassos.

Portanto, podemos ter inúmeros “movimentos” para lutar a favor das pessoas com deficiência, mas o núcleo da luta está na pessoa com deficiência; sua própria família deveria ser doutrinada, deveria ser esclarecida para melhor “incluir”. Incluir é ter certeza da igualdade e essa igualdade é a melhor maneira para a luta para a pessoa com deficiência.

Monday, August 25, 2008

DEFICIÊNCIA E PRECONCEITO


Vamos pensar no momento que estamos dentro de nosso país que não mudou muito dês de quando foi explorado, que alias, continua sendo. Mas vamos lá! Num país que pensa-se que uma pessoa que ganha mil reais por mês é de classe media não é de estranhar a distorção de tantas coisas que na sua importância, não deveriam ser distorcidas. Algumas remanescentes idéias ainda vigoram como classes especiais ou lugares que só abrigam a pessoa com deficiência como se ele ouve-se de ser acometido de uma doença grave, como aqui em São Paulo existem classes especiais da AACD e o estabelecimento estadual (dirigido pela esposa do governador Serra), Estação Especial da Lapa. Onde nada mais é do que depósitos de pessoas, e no caso da Estação Especial da Lapa, são tratados como crianças, mas o caso é um pouco mais grave.

Acabo de ler um artigo em um blog intitulado “APARTHEID CONTRA A PESSOA COM DEFICIÊNCIA” escrito por “Ana Paula Crosara de Resende”, que fala muito bem em uma Apartheid dentro da sociedade com a pessoa com deficiência. Para quem não sabe, Apartheid é uma palavra africana que quer dizer “vida separada” que foi usada pelo regime que os homens brancos detinham o poder e os povos restantes deveriam viver separados dos verdadeiros cidadãos na África do Sul. É o que a autora argumenta, podemos ter leis que regulamentam rampas e portas especiais, mas ao chegar uma pessoa com deficiência para usar ou a rampa ou a porta não existe e ninguém sabe onde enfiaram a chave. Ainda pior, sim caros será pior ler isto, igrejas que pregam a igualdade e as palavras de Jesus Cristo.

Com tudo isso ainda a própria sociedade ignorante e ignóbil, sim para votar num presidente deste só pode, ela mesma faz o papel de exclusão quando olham de cara feias quando um ônibus pára no ponto e demora; o carro de trás começa a buzinar com pressa e ainda ficam os “cochichos” do alem tipo “coitado! Não queria esta assim...”. Eu já ouvi de tudo nesta vida e sinceramente não dei a mínima, porque sei e a prova está no governo, o povo em sua maioria é ignorante. Mas não ignorante de conhecimento, existem mendigos sábios, o que digo é ignorante de entendimento, pois se podem ler milhares de livros e, no entanto, se você não entender o que esta escrito, é e sempre será um ignorante no assunto. Por isso que sempre falo, não existe intelectuais no Brasil, isso é uma afirmação falsa, existe pseudos-intelectuais que repetem o que outros sempre dizem como um bando de papagaios. Ainda pior, onde pensei que encontraria muita inteligência e conhecimento diversos, existe um dos maiores preconceitos que já vi o preconceito acadêmico; não só no que posso ou não fazer, mas eles excluem pessoas religiosas por não terem base cientifica, mas escreverei um artigo sobre isto em breve.

Eu como liderança de uns dos movimentos importante dentro do segmento, Fraternidade Cristã de Pessoa com Deficiência, ouvi muitas coisas e vi muitas coisas. Pessoas sendo acorrentadas por serem deficientes, por terem apenas seus corpos diferentes, que os próprios pais tiram seus filhos dentro da sociedade, tiram do convívio por serem iludidos com religiões medievais que não cabem mais no século vinte e um. Assim, muitos de nós somos excluídos pelos pais que no ápice de sua ignorância e do desespero, se agarram em medos e crenças infundadas. Não deixam seus filhos namorarem, não deixam seus filhos viverem por medo que eles sofram e, no entanto, sofrem com essa atitude. Não é uma forma incoerente de se viver e pensar? Não que não se tenha uma opinião, mas essas pessoas não têm opiniões próprias e vivem se preocupando o que os outros vão dizer, o que os outros vão pensar e para mim, isso não é vida.

Diante disso tudo tenho duas soluções: primeira solução seria fazer uma avaliação psicológica dos pais quando eles recebem a noticia, pois se esses ficarem desesperados diante disto tudo, pode internar que vão sub-proteger essa criança. Entrar numa neurose e conceber qualquer idéia religiosa como se aquela criatura seria castigo divino, ou seja, vai culpar o próprio filho de seus erros do passado; então haveria instituições que ficariam cuidando da pessoa com deficiência, mas como sei que estamos no Brasil e sei que tudo é distorcido, vamos repensar para onde mandaríamos essas pobres almas. Segunda solução seria leis mais rígidas diante desses casos, pois aqui as leis são brandas e até muito fracas diante dessas coisas, levando até quem sabe e num denuncia como cúmplice.

Mas não evoluímos tanto assim dos espartanos para cá, pois quem não sabe, os espartanos jogavam as crianças imperfeitas por não poderem guerrear e serem soldados e não só eles, muitas nações achavam que a imperfeição era castigo dos deuses e matavam seus imperfeitos. Hoje em dia, esses mesmos imperfeitos são escondidos, são acorrentados, trancados em seus quartos por não serem agradáveis ao olharem, por não ser agradável saber que nós temos excitação, que nós também temos fome e vontades. Muitos são como “cachorrinhos”, se dá comida, se dá roupas, e tudo fica bem e ele fica feliz no seu mundinho de faz de conta, mas é apenas mais uma caverna entre muitas outras.

Por que então nossos antepassados lutaram contra se aqui no Brasil ainda temos o preconceito velado? Por que nações morreram para lutar contra o nazismo se seu pensamento é a mais pura essência humana velada na hipocrisia cristã, um preconceito velado dentro do paternalismo cristão? Sabe o que a gestapo, policia nazi, fazia com pessoas como nós? Eles encontravam pessoas com deficiência e nem se davam o trabalho de levar para o campo de concentração, jogavam elas pela janela para terem uma morte digna como determinou o Firher. Só que não evoluímos além disso , nem podemos julgar eles, porque é muito fácil falar dos outros, mas sempre fazemos igual; não é que não se mata, que trancar não seja uma morte, sim o é, uma morte da essência humana que é o sentimento. Nós não podemos sentir nada, porque sentir é motivo de sofrimento, motivo de dar a pessoa com deficiência limitações que ela não pode enfrentar. Ótimo! Estamos ainda vivendo o século dezenove no Brasil, uma religiosidade ainda medieval, onde os senhores feudais limitam o pensar humano.

Thursday, January 31, 2008

Discurso acadêmico sobre inclusão

Estou cansado de ficar lendo textos sobre inclusão da pessoa deficiente com tantas paginas e nenhuma ação concreta sobre o caso. Muito pior do que isso, as academias (faculdades e universidades) vêm com discursos velhos e “clichês”, que ajudam e pesquisam sobre o assunto e até manda seus professores para o treinamento. Será mesmo que há uma mobilização para incluir a pessoa com deficiência?

Gosto de pessoas diretas porque sou direto e penso direcionado ao ponto que quero focar. Muitas pesquisam ficam rodeando um fato deplorável, não há inclusão verdadeira dentro de um país com uma política ultrapassada, com idéias ultrapassadas, com até mesmo, uma elite ultrapassada. Somos um país medieval, temos idéias ainda dos barões do café, temos um pensamento do século dezenove, onde temos uma velha e demorada questão que vem arrastando por séculos afora, uma questão de humanização da pessoa com deficiência. Será que querem mesmo humanizar a pessoa com deficiência? Não vejo que possam fazer isso, porque nossa cultura ainda está cheia de paradoxos inexplicáveis.

Há em nossa sociedade um dilema, criaram um estatuto da pessoa com deficiência baseado nas grandes conferencias e resoluções da ONU sobre o tema, que muito, ainda nem temos uma base solida sobre o assunto. Tudo bem que hipocritamente, teve a campanha da fraternidade em 2006, teve varias discussões sobre esse tipo, mas a própria campanha erroneamente pôs duas pessoas que andam no cartaz da campanha. Ou seja, nem mesmo a própria campanha não soube fazer, porque para chamar a atenção, deveriam colocar uma pessoa de cada deficiência e isso é base em qualquer divulgação publicitária. Não quero dar aulas aos senhores diplomados, mesmo o porquê, não se deve chorar o leite derramado. As campanhas são lindas e maravilhosas, mas não tem sustentação argumentativa sobre.

O erro é pensar que esse estatuto esta perfeito, que criar cotas dentro das empresas é a solução, que pesquisas para curar são um meio, não é. Para ler um jornal ou assistir um telejornal tem que ter no mínimo senso critico, pensar que aquele telejornal ou o jornal/revista, estão ou não dizendo a verdade. Daí tem que pensar numa verdade universal, uma que seja critica dentro das perspectivas da causa, ou seja, no mínimo tenho que pensar no Joãozinho que está trancado no seu quarto porque a mãe dele pensa que ele nasceu assim ou pelos seus pecados do passado, ou por castigo divino, ou até mesmo como um “abacaxi” a ser descascado pela família. Depois entra que “porque” a boa “alma” fabricou a lei ou pôs em pratica uma resolução, que no caso em questão, beneficia a pessoa com deficiência e se isso vai trazer mesmo o bem estar que necessitamos. Depois temos que analisar as esmolas ideológicas que algumas repartições políticas nos dão, essa sim é a base da nossa causa, saber como lutar por ela.

Vamos pensar no começo quando em 1981 fez o ano da pessoa com deficiência. Não faço a mínima idéia o que ou quem interessou isso, porque sou cético que realmente foi uma humanização da causa, porque no meu entender alguém se beneficiou com isso. O meio capitalista não faz nada se não trouxer um beneficio aos seus sustentos, que no caso são as indústrias. Para bom entendedor meia palavra basta, ou seja, lógico que quando dizemos uma humanização da casta de pessoas com deficiência estamos nos referindo em dar a essas pessoas o mínimo possível para viver e esse mínimo inclui: aparelhos ortopédicos, assistência medica, assistência psicológica, assistência de todo tipo e quem sustenta tudo isso, são os mesmos que interessaram essa resolução, esse “ano”. Depois se fez muito mais, como direito político, ter educação básica, ter os direitos e deveres para sermos um “cidadão” como qualquer pessoa. Mas somos realmente levados a serio? Tenho duvidas desses discursos que tanto se fazem, porque por trás, são meras palavras.

Meras palavras de um discurso que levaria ao sofista e os retóricos a inveja. Mesmo o porquê, de alguma maneira, esses discursos tem muito enfeite e pouca solução de fato. Aqui em São Paulo, por exemplo, existe a vários anos um plano de colocar ônibus adaptado em cada itinerário na cidade, já há muitos, mas de uma maneira ainda desproporcional. Quem regulamenta tudo é a SPTrans, na época que fizeram e ainda fazem, chamam alguns voluntários para testar e na maioria, são paraplégicos que dirigem. Muitas adaptações saem erradas, porque de fato não se testa com pessoas que usam o serviço que para quem não usa tudo está bem. Até mesmo no serviço ATENDE de vans adaptadas e pagas pela prefeitura para as empresas sustentarem o serviço, as adaptações são erradas e em alguns casos, não existe um meio seguro de amarrar as cadeiras de rodas saindo do bolso de alguns motoristas, cordas e ganchos para melhor amarrar. Mais uma vez não quero dar uma aula aos engenheiros que tem diplomas, mas é estranho que adaptações tão fracas e tão erradas, saem do bolso do contribuinte e um deles é meu pai. Ele gostaria que o seu filho tivesse transportes adequados ao que ele paga de imposto, mas como sempre num país como o nosso que as idéias são ultrapassadas, não temos muito a ter um “modelo” de adaptações adequadas. Mas vão me perguntar: “o que tem a ver tudo isso com o discurso acadêmico?”. Minha resposta é: muita coisa, porque toda adaptação, seja num ônibus ou numa calçada, seja uma consulta médica, seja numa associação, seja num projeto ou construção de leis que beneficiam as pessoas com deficiência, saem com seus diplomas nas universidades e faculdades.

Vou explicar por alto o que seria a diferença de faculdade e universidade. As faculdades ensinam a especialização sem pesquisar e ter um ensino prático, as universidades têm o ensino prático e pesquisas; por isso que universidades públicas exigem muito dinheiro, para essas pesquisas em várias áreas. Existem várias pesquisas sobre deficiências, mas pouco se fez para melhorar as condições desses dentro da sociedade, mesmo assim, vendem o direito das pessoas de serem iguais. Não quero ser hipócrita e dizer que todos são iguais, pois não são, isso é reflexo de meras utopias humanistas; o ser humano guarda em seu corpo um caldeirão de genes de seus antepassados recentes e longínquos, com essas tendências há o meio onde vivemos, o “berço” onde nascemos e muito outros fatores que diferenciam o ser humano em sua características genéticas e psicossociais. Não temos como escapar de todo esse “lamaçal”.

O Brasil tem muito atraso tanto na política como em todas as áreas, tendo a área da educação e saúde a maior prejudicada, tendo uma perspectiva muito atrasada. Mas uma questão me deixa intrigado: todos ficaram felizes de ter as “cotas” para as empresas, mas tenho duas questões a ressaltar; primeiro como podemos trabalhar se não há adaptações nem no caminho ao trabalho e nem na própria empresa? Temos que pensar também, que 5% de contratação podem ser apenas de uma deficiência só, ou seja, a empresa pode contratar tudo de pessoas com deficiência visual e tudo estará dentro da lei sem fazer mudanças físicas grandes. Ou toda a cota em pessoas com deficiência auditiva ou mental, que é no caso da síndrome de down. Não houve ou sim, um determinação clara perante essa questão, porque estão burlando a lei e as instituições e os movimentos não estão vendo; ou estão e fazem de conta que não num ato de “politicagem”. Bom, pelo menos as empresas que ligam para mim sempre vêm com desculpas que não estão adaptadas, que não tem vagas para pessoas como eu, “cadeirantes”. Como meu pai mesmo diz: “o que eles querem? Deficientes que falam, andam, e tem boa aparência, pra que então essa lei?”, concordo com ele, porque acaba desarticulando os meios para justificar seus fins. Segunda questão é a preparação da pessoa com deficiência para o mercado de trabalho, que cada vez mais está se exigindo graus elevados de ensino, que me preocupa muito. Porque não adianta jogar a pessoa com deficiência no mercado de trabalho sem uma preparação acadêmica, isso para mim é mais que obvio, porque quanto mais estudo se tem melhor é e podemos competir igual para igual. Daí entra os discursos acadêmicos mais retóricos do que realmente, prezar a igualdade do ser humano e inclusão social da pessoa deficiente.

Eu estudei um ano e meio Comunicação Social/Publicidade e Propaganda, onde não deixaram terminar, tendo a bolsa de estudos negada; tive a oportunidade de ver que realmente o interesse é totalmente financeiro, não há um interesse de inclusão social. A universidade em questão, sempre discursou a favor desse tipo de determinação, que lutava pela igualdade social e o direito de liberdade e para mim é uma grande hipocrisia; porque quando está se pagando tudo é flores e nada mais obvio que o interesse é outro. Nem isso as vezes é fator, como aconteceu com uma menina surda no Maranhão que teve sua matricula negada por causa que a dona da escola não queria pagar uma interprete de libras. Mesmo pagando não podemos estudar? Minha duvida é a mais relevante. Sem preparo não existe profissional.

O problema não é ter ou não bolsas de estudo, ensino de graça e tudo mais, o problema é a hipocrisia. Mesmo onde eu estudava, diziam que faziam doações para uma instituição que cuidava de pessoas com paralisia cerebral severa, a minha não é tanto. Mas qual o critério de se doar uma quantia ou coisas, que claro os alunos trazem, e um incentivo para quem quer vencer na vida? É amigo leitor, uma universidade não passa de trapaça intelectual, tudo que os donos querem é lucrar e mais nada; a educação virou um acordo de partes e estou começando a acreditar no pacto das elites, pois mesmo com governo de esquerda, nada mudou. As universidades estatais são poucas e não existem planos de incentivo para a pessoa com deficiência e os particulares, fazem o que fizeram comigo. Essas universidades não pagam impostos, são abertas como instituições filantrópicas e dizem ter prejuízo, então me nego a acreditar que negando esse incentivo, vão tirar o prejuízo das mesmas. Como disse, cansei de tantos estudos para melhorar o bem estar das pessoas com deficiência e depois nos tratam como lixo.

Muito discurso e pouca ação, muita falácia e pouco o que fazer. Como disse, não podemos apenas ficar felizes pelas cotas das empresas, temos que ater num preparo efetivo e concreto, pois ai sim, não teria desculpas para as empresas nos efetivar. Algumas criam oportunidades, só para dizer que dão essa oportunidade, mas tem sempre um “porem” nessa historia, sempre existe um “porque” nessas atitudes. Lógico que eles vão incentivar “alguns” e dizer que dão oportunidade de serem funcionários, para esses dizerem a grande maioria, que realmente as empresas estão dando incentivos. Será mesmo que são boas almas, ou é apenas um jogo de marketing? Um jogo para desunir a causa do seu propósito universal?

Tenho medo de acreditar que tudo isso possa levar a alienação da causa, um retrocesso da luta da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, mas que apenas é o reflexo de políticas arcaicas e desumanas que excluem passando por cima de resoluções até mesmo da Organização das Nações Unidas. Mas todos nós sabemos que está por trás da ONU, que não evita guerras, não evita exclusão, não evita fome, não evita nada; apenas é um fantoche das grandes corporações que criam resoluções para a alienação da massa. Não há nenhuma ideologia, religião, nada que preze verdadeiramente a causa da igualdade da pessoa com deficiência a não ser a própria; pois quem sofre os limites de se locomover, a discriminação e a exclusão social são as pessoas com deficiência. Portanto, ninguém mais vai interessar essas melhorias do que a próprias pessoas com deficiência, o resto, é discurso barato.

Friday, January 18, 2008

Manifesto da inclusão


Ó vícios! Ó costumes! Até quando teremos que agüentar? Não só as políticas publicas estão infestadas de manifestações pueris de um retrocesso cultural, de inveja que amargura e mata a virtude. Como dizia o filosofo Immanuel Kant, a virtude é aprendida no colo da mãe, porque em nenhuma instituição pode ser aprendida. Não haverá melhor meio de ser virtuoso do que o exemplo que se tem em casa, o exemplo que lhe faz forte, porque tudo que não causa a morte lhe deixa cada vez mais forte parafraseando o filosofo Nietzsche.

O que é ser uma pessoa com deficiência física? Pessoas com deficiência num país que não tem virtude em sua educação não é uma tarefa fácil, como vimos em muitos depoimentos de todo Brasil, os cidadãos estão viciados e nesse vicio que mora o perigo. A algum tempo uma amiga muito querida me procurou pedindo ajuda para escrever num fórum virtual na radio local de Marataízes, cidade litorânea do Espírito Santo, porque quando foi trabalhar quase foi atropelada; não só ela, mas muitos pedestres que tem ou não deficiência, por falta de vias expressas e rampas adequadas para o deficientes. Semáforos não é também coisa corriqueira na cidade. Ora, cadê as leis federais que não fazem valer esses recursos tanto em um local ou no outro? Porque os próprios cidadãos não fazem valer, essa é a regra, essa é a base.

Parafraseando o filosofo Spinoza, nenhuma divindade, ninguém, a não ser o invejoso, pode ter prazer em minha impotência e a minha dor, ninguém toma por virtude nossas lagrimas, nossos soluços, nosso temor e nossos sinais de impotência interior. Nada importará a ninguém nossas dores a não sermos nós mesmos, a impotência é para o invejoso um maior beneficio, pois se ele não consegue, todos não devem consegui. Mas só conseguimos pela união e pela força de um nome, pela força de um desejo, pela força de vontade manifestada de luta e a glória de sua vitória que pode ser de todos. E Spinoza ainda diz, que muito ao contrario, quanto mais alegria que nos afeta, mais perfeições chegamos, mais necessário participarmos da natureza divina. Chegamos a perfeição do criador, seja qual for o nome que lhe dão, nós temos sua essência de criar e dar ao próximo essa força; unir para o bem comum é preciso, não em forma de religião ou em forma de ideologia, mas forma de virtude de um bem universal.

Não é de interesse comum bolsas para reparar os milhões de nós que foram jogados em abismos, milhões que foram jogados nas fogueiras inquisitórias que ao que parece, foram esquecidas; fomos vitimas de mentes doentias por muitos séculos, por não entender os sábios e não ver na pessoa com deficiência um potencial, preferiram classificar nós de “sem almas” e trancafiar em hospícios e instituições nefastas. Hoje não é diferente, nascemos com deficiência por remédios que deformam, falta de pediatras, falta de vacinas e ainda sim, a pessoa com deficiência é trancafiada em instituições que só querem os lucros com programas televisivos como o Teleton, instituições que tratam a pessoa com deficiência como se fossem crianças como a Estação Especial da Lapa aqui em São Paulo. Onde estará, ó meu Deus, essa verdadeira inclusão que tanto dizem? Onde estará o meu direito de ir e vir que está na constituição de meu país? Onde está às políticas publicas que nada fazem na questão da pessoa com deficiência?

O fundador do movimento onde participo o padre Henry François dizia assim: “os apóstolos dos operários são os operários... os apóstolos dos industriais são os industriais e os comerciantes serão os industriais e os comerciantes. Os apóstolos dos doentes e pessoas com deficiência serão os doentes e as pessoas com deficiência…”. Tem pessoas que nem ele segue, não há união sem ter virtude, porque virtude é para os nobres de espírito, para poucos que não sabem o que é interesse individual. Sofri no ano de 2007 uma discriminação pela universidade Unip, porque além de não querer me dar bolsa de estudo, ainda não me deram meu direito de trancar a matricula me humilhando e ainda aos meus pais; não me interessa que é uma universidade particular, é dever uma instituição de ensino ter o bem maior a educação cultural, a educação efetiva e sem outras particularidades. O texto do padre François está bem claro, que quem deve lutar para o bem da pessoa com deficiência é a própria pessoa com deficiência, é a luta, é a união de todos seja numa via expressa numa cidade do Espírito Santo, seja na eliminação de políticas e instituições demagogas, seja da falta de educação e trabalho, mas a união de todos para todos.

O MEC não tem critérios para as aberturas de instituições de ensino, elas são abertas como instituições filantrópicas, como instituições sem fins lucrativos. Assim a instituição Objetivo e outras são abertas e têm muitas delas, um discurso de inclusão social. Ora, até a Unip, tem esse discurso que é claro, cheio de demagogia. O Prouni que é um incentivo ao estudo que o Governo Federal tem para ajudar quem não tem recursos de não pagar uma universidade, a cada seis meses é feita uma prova para renovar o recurso. Ora, além de nós tivemos provas na própria universidade, vamos ter que fazer outra para efetivar um direito? O Brasil é um país pacifico e como tal, as pessoas não lutam pelos seus direitos, não fazem nem mesmos seus deveres; muitos nem sabem quem votaram. Com isso, a pessoa com deficiência sofre a discriminação em toda a sociedade e em todo governo. Como podemos trabalhar se as empresas não contratam pessoas deficientes com cadeiras de rodas? Como podemos querer reivindicar uma inclusão se nós não olhamos o outro?

Os direitos devem ser reivindicados, devem unir os mais diversos movimentos e chamo o meu movimento Fraternidade Cristã de Doentes e Pessoas com Deficiência para unir forças para o direito de ir e vir, da educação, da saúde, do transporte e das vias publicas de todos nós. Eu fui discriminado, muitos o são e está na hora de eliminarmos esse discurso demagogo e ultrapassado que a pessoa com deficiência deve lutar pelo seu, individualismo tacanho e imoral, porque moral é o bem comum e cuidar de todos para todos. Como disse Jesus, que não trouxe a paz, mas a espada; a “espada” é a palavra de não trazer o ser conformado, mas a luta de reivindicar e lutar para um bem comum e para o próximo… ele mesmo disse para amar a Deus sobre todas as coisas ao próximo como a si mesmo. Devemos amar o criador, a força geradora que é o próprio amor, amar ao outro como parte dessa criação e amar a si como a essência do criador. Nós pessoas com deficiência temos essa essência porque também fomos feitos desse amor, fomos e devemos sempre nos amar e amar ao próximo como a si mesmo, devemos amar toda criação e amar também é lutar pelo que acreditamos.

Uni-vos sempre!

Monday, January 14, 2008

Passividade


Esse texto foi pensado para amenizar minha visão às vezes inconformada diante de tanta passividade entre os seres humanos em geral, mas mais ainda com pessoas com deficiência que tem que matar um leão por dia. Agradeço a gentileza do pessoal da comunidade do Orkut FILOSOFIA por ter respondido minhas singelas perguntas e por essas respostas e alguns conceitos que tirei pude ter uma idéia o que eu posso contribuir nesse tema importante.

Quando dizemos que uma pessoa é passiva ela é um ente que não está em ação, ou seja, ela não toma uma decisão conforme as vias de sua vontade: outro aspecto é o ente sofrer uma ação ou receber seu efeito, como uma ação não gerada e inesperada sem que o ente tenha feito algo para gerar a mesma. Um exemplo básico é tomar um tapa sem que tenha feito que o outro tivesse essa atitude, assim, não revidando a forma em equivalência e gerando uma forma passiva; claro que em termos um outro tapa vai gerar outro, mas pode frear e acuar o ente que efetivou o tal tapa. Outro exemplo, que é mais comum na parte das pessoas com deficiência física, é criar ideologias de luta e que as pessoas ou não tem obrigação de fazer ou que se houver uma reação ela perderá aquilo que mais preza ou que mais precisa. Quando essa amarra acontece, não há a tal reação e assim vai sofrer a ação de ser dominada e receber o efeito que é a dominação.

De forma básica, a ação se deve ao estado da educação dês de sua infância que gera o pensamento que a pessoa com deficiência física não possuem potencial, elas são dependentes por toda vida (isso que vai gerar o mesmo sentimento nas pessoas que adquirem deficiência após um acidente ou trauma, ou seja, um mito), isso vem de culturas longínquas dentro do tempo e da história. Poderia aqui esboçar que parte da culpa disso é da igreja tanto católica quanto a evangélica, mas eu encontro em muitos meios tanto de doutrinas como a espírita e a esotéricas como os maçons que restringem até mesmo ingresso de pessoas com deficiência física em seu meio. O espiritismo com a herdeira cultura católica, manifesta uma crença de punição por situações passadas que devemos ter a provação dessas culpas, devemos nos conformar e não alimentar uma história de luta. Isso tudo que esbocei em partes, pois tem muito mais do que isso dentro de qualquer conduta, gera culpa não só da pessoa com deficiência física, mas também que gerou essa pessoa.

A falta de potencial é um mito bem popular e faz com que a pessoa com deficiência física não acredite no seu, que pode fazer belos trabalhos e pode fazer muitas coisas, que geralmente a família restringe. Quando a família restringe, a pessoa com deficiência física se auto aliena para não enfrentar oposição, ele se conforma para não enfrentar uma decisão que pode gerar uma briga, por exemplo. Há ai aspectos totalmente psicológicos como se passividade seria equivalente a ser pacifico, pois ser pacifico é ter em sua regra de conduta, ter o pensamento mais restrito ao dialogo, mas quando enfrentamos as regras familiares e não tomamos uma decisão ai estamos sujeitos a sermos passivos a esta situação. Não só condutas familiares, mas condutas de restrito pessoal, como por exemplo, deixar uma situação só para não enfrentar aquela situação. Daí entra a mais comum das regras, ou seja, sermos conformados com o suposto destino que nos é reservado, isso é uma suposição que o ente é comandado por forças superiores que não pode agir, que seria num ato de auto conformar-se e de restringir seu agir de forma determinante. O destino já está traçado e o ente não pode, é fadado a ter a regra que eles nos impõem e não posso tomar uma decisão diferente. Nossa família nos protege da sociedade maldosa que rir de nossa deficiência, isso que pensa uma pessoa com deficiência física que não abriu seus horizontes e não tem consigo que o destino pode ser mudado, que é uma questão de escolhas.

É uma suposição criada pelas religiões de todo mundo e não pode, pelo menos a meu ver, ser uma “muleta” para se tirar a ação de um melhor viver; essa ação do melhor viver é a postura certa para entender a si mesmo e ao seu meio, uma postura certa no momento certo. Existe também no meio político, montes de pessoas com deficiência física, que ingenuamente se apega a ideologias que apenas iludem o sonho de uma sociedade justa: muitos se apegam a socialismo e qualquer “ismo” como meio de acabar com a desigualdade, mas pensamos que acabamos com isso com nossa própria conduta de aceitação. Muitas pessoas com deficiência física têm uma vida normal, eu mesmo já estive em situação de preconceito e não dei importância, porque se temos confiança de si mesmo não haverá meios de alguém nos ver diferente. Não haverá nenhum “ismo” que importe mais do que a si mesmo e sua força de vontade perante tudo que se queira.

Parafraseando Nietzsche, não há fatos eternos e nem mesmo verdades absolutas, ou seja, não há nada que não se pode mudar ou contradizer porque o mundo é feitos de fatos e eles não são eternos fabricando verdades absolutas. Então a cultura dominante é a causadora do fator alienante, ela própria se aliena e punem aqueles que pensam diferente, ela pune o ente diferente. Ela própria se dá o direito de fabricar o dominado fazendo de suas estruturas familiares, condutas psicológicas que vão acarretar o ser humano em toda vida, pois as estruturas desses casos duram enquanto a passividade durar; com a pessoa com deficiência física, essa característica é muito mais enraizada pelo modo de dependência do mesmo. Passividade é o estado no qual um cão se encontra até o momento que seu dono não der mais comida, ou seja, enquanto se é alimentado se pode ser passivo e quando não, se volta contra seu próprio dono. Seria quebrar as amarras que o segura de sua própria felicidade, do seu mais intimo meio para a mais puro fim, a satisfação de um amor, de um trabalho, de uma realização. Quebrar seu moinho pondo-o contra o vendo, contra o que lhe faz insatisfeito, correr o risco. A falta de amor próprio e autoconfiança e anulação de si mesmo por falta de determinação gera a passividade por conformismo, porque a autoconfiança é uma espécie de combustível que move sua vontade, pois que não tem está fadado a ser submisso.

A submissão chega ao ponto que por ela deixamos em partes nossos princípios, nossas metas, por medos e desilusões do cotidiano, essa ilusão se manifesta em criar um ambiente certo para a submissão que é a forma passiva mais elevada. Sendo uma forma devastadora, tanto para movimentos submetidos a cômodas situações de passividade e a desvirtuação de pensamentos por ideologias políticas que caracterizam a passividade. Sendo, para eliminação da mesma, uma melhor visão de si mesmo e do outro, uma visão mais ampla de um mundo que vivemos, só não sabemos se somos realmente humanos e quando nos sentimos sendo, vamos lutar por um ideal.