Friday, January 18, 2008

Manifesto da inclusão


Ó vícios! Ó costumes! Até quando teremos que agüentar? Não só as políticas publicas estão infestadas de manifestações pueris de um retrocesso cultural, de inveja que amargura e mata a virtude. Como dizia o filosofo Immanuel Kant, a virtude é aprendida no colo da mãe, porque em nenhuma instituição pode ser aprendida. Não haverá melhor meio de ser virtuoso do que o exemplo que se tem em casa, o exemplo que lhe faz forte, porque tudo que não causa a morte lhe deixa cada vez mais forte parafraseando o filosofo Nietzsche.

O que é ser uma pessoa com deficiência física? Pessoas com deficiência num país que não tem virtude em sua educação não é uma tarefa fácil, como vimos em muitos depoimentos de todo Brasil, os cidadãos estão viciados e nesse vicio que mora o perigo. A algum tempo uma amiga muito querida me procurou pedindo ajuda para escrever num fórum virtual na radio local de Marataízes, cidade litorânea do Espírito Santo, porque quando foi trabalhar quase foi atropelada; não só ela, mas muitos pedestres que tem ou não deficiência, por falta de vias expressas e rampas adequadas para o deficientes. Semáforos não é também coisa corriqueira na cidade. Ora, cadê as leis federais que não fazem valer esses recursos tanto em um local ou no outro? Porque os próprios cidadãos não fazem valer, essa é a regra, essa é a base.

Parafraseando o filosofo Spinoza, nenhuma divindade, ninguém, a não ser o invejoso, pode ter prazer em minha impotência e a minha dor, ninguém toma por virtude nossas lagrimas, nossos soluços, nosso temor e nossos sinais de impotência interior. Nada importará a ninguém nossas dores a não sermos nós mesmos, a impotência é para o invejoso um maior beneficio, pois se ele não consegue, todos não devem consegui. Mas só conseguimos pela união e pela força de um nome, pela força de um desejo, pela força de vontade manifestada de luta e a glória de sua vitória que pode ser de todos. E Spinoza ainda diz, que muito ao contrario, quanto mais alegria que nos afeta, mais perfeições chegamos, mais necessário participarmos da natureza divina. Chegamos a perfeição do criador, seja qual for o nome que lhe dão, nós temos sua essência de criar e dar ao próximo essa força; unir para o bem comum é preciso, não em forma de religião ou em forma de ideologia, mas forma de virtude de um bem universal.

Não é de interesse comum bolsas para reparar os milhões de nós que foram jogados em abismos, milhões que foram jogados nas fogueiras inquisitórias que ao que parece, foram esquecidas; fomos vitimas de mentes doentias por muitos séculos, por não entender os sábios e não ver na pessoa com deficiência um potencial, preferiram classificar nós de “sem almas” e trancafiar em hospícios e instituições nefastas. Hoje não é diferente, nascemos com deficiência por remédios que deformam, falta de pediatras, falta de vacinas e ainda sim, a pessoa com deficiência é trancafiada em instituições que só querem os lucros com programas televisivos como o Teleton, instituições que tratam a pessoa com deficiência como se fossem crianças como a Estação Especial da Lapa aqui em São Paulo. Onde estará, ó meu Deus, essa verdadeira inclusão que tanto dizem? Onde estará o meu direito de ir e vir que está na constituição de meu país? Onde está às políticas publicas que nada fazem na questão da pessoa com deficiência?

O fundador do movimento onde participo o padre Henry François dizia assim: “os apóstolos dos operários são os operários... os apóstolos dos industriais são os industriais e os comerciantes serão os industriais e os comerciantes. Os apóstolos dos doentes e pessoas com deficiência serão os doentes e as pessoas com deficiência…”. Tem pessoas que nem ele segue, não há união sem ter virtude, porque virtude é para os nobres de espírito, para poucos que não sabem o que é interesse individual. Sofri no ano de 2007 uma discriminação pela universidade Unip, porque além de não querer me dar bolsa de estudo, ainda não me deram meu direito de trancar a matricula me humilhando e ainda aos meus pais; não me interessa que é uma universidade particular, é dever uma instituição de ensino ter o bem maior a educação cultural, a educação efetiva e sem outras particularidades. O texto do padre François está bem claro, que quem deve lutar para o bem da pessoa com deficiência é a própria pessoa com deficiência, é a luta, é a união de todos seja numa via expressa numa cidade do Espírito Santo, seja na eliminação de políticas e instituições demagogas, seja da falta de educação e trabalho, mas a união de todos para todos.

O MEC não tem critérios para as aberturas de instituições de ensino, elas são abertas como instituições filantrópicas, como instituições sem fins lucrativos. Assim a instituição Objetivo e outras são abertas e têm muitas delas, um discurso de inclusão social. Ora, até a Unip, tem esse discurso que é claro, cheio de demagogia. O Prouni que é um incentivo ao estudo que o Governo Federal tem para ajudar quem não tem recursos de não pagar uma universidade, a cada seis meses é feita uma prova para renovar o recurso. Ora, além de nós tivemos provas na própria universidade, vamos ter que fazer outra para efetivar um direito? O Brasil é um país pacifico e como tal, as pessoas não lutam pelos seus direitos, não fazem nem mesmos seus deveres; muitos nem sabem quem votaram. Com isso, a pessoa com deficiência sofre a discriminação em toda a sociedade e em todo governo. Como podemos trabalhar se as empresas não contratam pessoas deficientes com cadeiras de rodas? Como podemos querer reivindicar uma inclusão se nós não olhamos o outro?

Os direitos devem ser reivindicados, devem unir os mais diversos movimentos e chamo o meu movimento Fraternidade Cristã de Doentes e Pessoas com Deficiência para unir forças para o direito de ir e vir, da educação, da saúde, do transporte e das vias publicas de todos nós. Eu fui discriminado, muitos o são e está na hora de eliminarmos esse discurso demagogo e ultrapassado que a pessoa com deficiência deve lutar pelo seu, individualismo tacanho e imoral, porque moral é o bem comum e cuidar de todos para todos. Como disse Jesus, que não trouxe a paz, mas a espada; a “espada” é a palavra de não trazer o ser conformado, mas a luta de reivindicar e lutar para um bem comum e para o próximo… ele mesmo disse para amar a Deus sobre todas as coisas ao próximo como a si mesmo. Devemos amar o criador, a força geradora que é o próprio amor, amar ao outro como parte dessa criação e amar a si como a essência do criador. Nós pessoas com deficiência temos essa essência porque também fomos feitos desse amor, fomos e devemos sempre nos amar e amar ao próximo como a si mesmo, devemos amar toda criação e amar também é lutar pelo que acreditamos.

Uni-vos sempre!

1 comment:

Anonymous said...

Sim, provavelmente por isso e